Kai não percibía
os próprios deseos
Aprendi a desejar
o que esperavam dela.
Modelos prontos.
Vidas possíveis

«Algo»
Sempre voltava.
Baixinho.
Ela tentou silenciar essa voz.
Com rotina.
Com desempenho.
Com expectativas.
Até que um dia,
a pergunta voltou
mais forte:

Uma vida chegou.
Outra partiu.
Deixei de ser filha.
Passei a ser mãe.
Meu mundo mudou
…

No meio do caos,
“isso” se abrió.
Personagens secretos.
Forças adormecidas.
Identidades esperando
o momento de florescer.
Hoje meu trabalho
é acompanhar
«aquilo» que quase
ninguém vê.

Perceber o caos
até que “algo”
faça C L I C K
Sensações que insistem.
Corpos que sabem
antes da mente.
Não procuro respostas.
Eu conduzo atenção.
Minha identidade
não é um ponto fixo.
É maré
